sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Texto de Matisse

"Há que ver toda vida com olhos de criança", texto de Henri Matisse

por Adriana Guivo - 30 de agosto de 2009

"Nature morte au magnolia", 1941 © Succession H. Matisse"Nature morte au magnolia", 1941 © Succession H. Matisse
"Criar é próprio do artista – onde não há criação, a arte não existe. Mas seria um engano atribuir esse poder criador a um dom inato. Em matéria de arte, o criador autêntico não é apenas um ser dotado, é uma pessoa que soube ordenar, tendo em vista o seu objetivo, todo um feixe de atividades de que a obra de arte é o resultado. É por isso que para o artista a criação começa na visão. Ver já é uma função criadora que exige um esforço.

Tudo o que vemos na vida corrente sofre mais ou menos a deformação que os hábitos adquiridos provocam, e o fato é talvez mais sensível numa época como a nossa, em que o cinema, a publicidade e as revistas nos impõem diariamente uma quantidade de imagens já prontas, que são de certo modo, no âmbito da visão, o que é o preconceito no âmbito da inteligência. O esforço necessário para se libertar disso exige uma espécie de coragem; e essa coragem é indispensável ao artista, que deve ver todas as coisas como se as visse pela primeira vez: há que ver toda a vida como quando se era criança; e a perda dessa possibilidade impede-vos de vos exprimir de maneira original, isto é, pessoal.
Tomemos um exemplo: penso que nada é mais difícil a um verdadeiro pintor do que pintar uma rosa, porque para isso, precisa primeiro de esquecer todas as rosas pintadas. É um primeiro passo para a criação ver todas as coisas na sua verdade, e isto supõe um esforço contínuo.
Criar é exprimir o que se tem em si. Todo o esforço autêntico da criação é interior. Haveria ainda que alimentar o sentimento, o que se faz com a ajuda dos elementos que se tiram do mundo exterior. Aqui intervém o trabalho, pelo qual o artista incorpora, assimila gradualmente o mundo exterior, até que o objeto que desenha tenha se tornado uma parte de si mesmo, até que o tenha em si e possa projetá-lo na tela como sua própria criação.
Quando pinto um retrato, tomo e retomo o meu estudo, e de todas a vezes é um novo retrato que faço; não o mesmo que corrijo, mas um outro que recomeço; e é sempre um ser diferente que tiro de uma mesma personalidade. Aconteceu muitas vezes, para esgotar completamente o meu estudo, inspirar-me em fotografias de uma pessoa em idades diferentes: o retrato definitivo poderá representá-la mais jovem, ou sob um aspecto diferente daquele que tem no momento em que posa, porque é esse aspecto que me pareceu o mais verdadeiro, o mais revelador da sua personalidade.
A obra de arte é assim o fim de um longo trabalho de elaboração. O artista utiliza tudo aquilo que em seu redor é capaz de alimentar a sua visão interior, quer diretamente, quando o objeto que desenha deve figurar na sua composição, quer por analogia. Põe-se assim em estado de criar, enriquecendo-se interiormente com todas as formas de que se torna senhor e que um dia ordenará segundo um ritmo novo.
É na expressão desse ritmo que a atividade do artista será realmente criadora; para aí chegar, será preciso tender mais para o despojamento do que para a acumulação de detalhes. Escolher, por exemplo, no desenho, entre todas as combinações possíveis, a linha que se revelar plenamente expressiva e portadora de vida; procurar essas equivalências através das quais os dados da natureza se encontram transpostos para o domínio da arte.

Na Nature morte au magnólia, traduzi através do vermelho uma mesa de mármore verde; precisei de uma mancha preta para evocar o reflexo do sol no mar; todas estas transposições não eram de maneira alguma o resultado do acaso ou de uma fantasia qualquer, mas sim o resultado de uma série de pesquisas, após as quais essas cores me apareceram como necessárias, na sua relação com o resto da composição, para dar a impressão pretendida. As cores e as linhas são forças, no seu equilíbrio, reside o segredo da criação.
É nesse sentido, me parece, que se pode dizer que a arte imita a natureza; pelo caráter de vida que um trabalho criador confere à obra de arte. Então a obra mostra-se tão fecunda, e dotada da mesma vibração interior, da mesma beleza resplandecente que possuem todas as obras da natureza. É preciso que haja um grande amor, capaz de inspirar e suportar esse esforço contínuo para a verdade e também essa generosidade e esse despojamento profundo que a gênese de toda obra de arte implica. Mas não estará o amor na origem de toda criação?"
Henri Matisse

Original em francês oferecido pelo Centre Georges Pompidou.


retirado do site: "Há que ver toda vida com olhos de criança", texto de Henri Matisse - Colherada Cultural

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Elemento visual para leitura de imagem: A LINHA

   A linha é um ponto em movimento ou pode-se definir também como o registro da história do movimento de um ponto.

Classificações da linha:
   Podemos ter várias classificações para a linha na leitura de imagem, elas podem ser classificadas pelo movimento, pela direção, pelo tamanho, pela espessura e pela cor.

  • MOVIMENTO:
 Linhas estáticas e linhas dinâmicas. As linhas estáticas são consideradas as linhas que parecem estar paradas, elas são linhas retas, duras. Enquanto que as linhas dinâmicas são consideradas as linhas que tem maior movimento, elas são linhas curvas, fluidas.
  • DIREÇÃO:
   As linhas podem também ser classificadas por sua direção, elas podem ser horizontais, verticais, inclinadas ou com direção mistas que compõe no começo com uma direção e termina em outra.
  • TAMANHO:
   As linhas podem ser classificadas pelo seu tamanho. As linhas podem ser longas ou curtas.
  • ESPESSURA:
   As linhas podem ser classificadas por sua espessura. Elas podem ser finas, grossas ou mistas, esta última acontece quando as linhas começam de uma espessura e variam em seu meio ou fim.
  • COR:
   As linhas podem ser classificadas pela sua cor. Sendo ela por exemplo: Amarela ou azul ou laranja ou vermelha etc.

Diferença entre linha, traço e risco:
   A linha é o registro de um ponto em movimento, já o traço é uma linha curta e o risco é um traço que não deseja exprimir nada.
Picasso em uma linha só

Elemento visual para leitura de imagem: O PONTO

Segundo Donis A. Dondis (Sintaxe da Liguagem Visual, 2000) o ponto é a unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima.


   O ponto é uma pausa do olhar na linguagem visual artística. O ponto chama a atenção e faz o olhar ficar mais lento. Ele também pode ser uma referência para uma medida no espaço. Pode ter tonalidades diferentes quando aproximados. 
  
   Caso coloquemos dois pontos com cores primárias diferentes, um ao lado do outro, ao longe o nosso olhar faz com que esses pontos se fundam gerando uma cor secundária. Seurat estudou esse fenômeno quando criou a técnica do PONTILHISMO em seus quadros. Se aproximarmos uma ilustração digital no computador, poderemos ver os "pixels" que nada mais são do que pontos de cor.
George Seurat, Tarde de Domingo na Ilha de Grand Jatte, óleo sobre tela, 206 X 306 cm  (1884 - 1886)
George Seurat, O circo, óleo sobre tela, 185 X 152 cm (1891) 
George Seurat, La Parade, óleo sobre tela (1889)

sábado, 14 de maio de 2011

Licocós contemporâneos

Os alunos do 1 ano do Ensino Médio da Escola Estadual Farrouppilha, em Viamão, fizeram esculturas com argila. Depois de descobrirem o que era "Licocós", pequenos bonecos que mostram as várias atividades da tribo na arte indígena, desenvolveram a partir daí bonecos em argila representando profissões que gostariam de atuar daqui a dez anos. Alguns resultados saíram surpreendentes já que era o primeiro contato com o material, o objetivo final era a experimentação da argila com a referência no que eles conhecem hoje de seu contemporâneo para o que eles gostariam de ser. A representação naturalista não era tão importante quanto a sua referência e descoberta do material. Abaixo tem as fotos do processo de alguns e a finalização do acabado.